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Schröder, Goethe, Han e Caetano Veloso - a Reconstrução do Olhar na Era do Narcisismo

  • Foto do escritor: Irmão Marcelo Artilheiro
    Irmão Marcelo Artilheiro
  • 13 de mar.
  • 4 min de leitura

Existe um fio invisível que une a Weimar de Johann Wolfgang von Goethe à Berlim contemporânea de Byung-Chul Han. Esse fio é a percepção de que a realidade não é algo que consumimos, mas algo em que participamos. Quando Han afirma que "A crise da escuta é a crise da alteridade. Só se ouve a si mesmo", ele está diagnosticando, no século XXI, a falência daquela "fenomenologia delicada" que Goethe propôs como a única via de acesso à verdade.


Para entender o mundo/ a maçonaria de hoje, precisamos cruzar a Teoria das Cores com a Sociedade do Cansaço. O resultado é um alerta urgente sobre o desaparecimento do "Outro", criou-se Lojas, Ritos e Potências de um único pensamento, com isso,  eliminou-se o que é diferente através dos algoritmos, inclusive humanos; criaram-se "Lojas de eco"  e "Grupos de eco" onde tudo o que ouvimos é o reflexo de nossas próprias opiniões. Não há mais cores para a tristeza de Goethe, só cor.


A Cor como Resistência e a Morte do "Outro"

Para Goethe, a cor era o resultado do sofrimento da luz ao encontrar o limite da sombra. A cor exige um obstáculo, uma resistência. Filosoficamente, isso significa que a beleza e a verdade dependem do encontro com algo que não somos nós.


Na modernidade descrita por Han e na Maçonaria vivemos no "Inferno do Igual". "O algoritmo" remove a sombra; ele nos entrega apenas a luz refletida de nossos próprios gostos. Quando eliminamos a "negatividade" do que nos contradiz, perdemos a cor da vida, torna-se impossível conhecer a verdadeira beleza moral. Tornamo-nos cegos e surdos porque não há mais alteridade para processar.  Como diz Han, estamos em um sistema que "expulsa o distinto". Sem o "Outro" (a sombra goethiana), a luz torna-se ofuscante e vazia.



 A Escuta como Metamorfose Orgânica

Goethe ensinava que, ao observar uma planta, o cientista deveria "metamorfosear-se" com ela. Era uma escuta visual. Han transpõe isso para a ética: a escuta ou o ler autêntico é um presente que damos ao outro, um espaço de acolhimento que exige o despojamento do ego. O ouvir ou o ler autêntico, na tradição dos grandes pensadores, é um ato de esvaziamento. Para ouvir ou para ler, é preciso silenciar o "eu". Santo Agostinho diria que, enquanto a alma estiver cheia de ruído próprio (o amor-próprio desordenado), ela não pode ouvir a voz da Verdade.


Sofremos todos da "hiperatividade do eu". Alguns Maçons não leem e não escutam, eles apenas esperam a sua vez de projetar sua imagem, seu pensamento, sua única cor. O "analfabetismo funcional" já denunciado na sociedade é o mesmo que Han identifica na vida social e em parte da Maçonaria: ler-se e se ouve apenas para encontrar pretextos que confirmem seus preconceitos, pensamentos e Cor. Perdeu-se a capacidade de "metamorfose", pois o nosso "Eu" tornou-se rígido, impermeável à dor ou à sabedoria alheia, a Pedra Bruta se tornou um Diamante ou Tungstênio, dura e resistente demais.


O Jejum de Si Mesmo: A Ascese da Atenção em um Mundo de Espelho

Vivemos na era da hipertrofia do "Eu". Das redes sociais às lojas, das mesas dos ágapes às salas de palestras on-line, alguns maçons contemporâneos tornaram-se um emissor incansável de si próprio. Diante disso, surge a urgência de uma prática milenar, mas radicalmente moderna: o Jejum de Si Mesmo. O Jejum de Si Mesmo não é a negação da identidade, mas a suspensão da arrogância interpretativa. É o ato voluntário de silenciar as próprias opiniões pré-fabricadas para que os "Outros" possam florescer ou para que o silêncio fale.  O jejum, aqui, atua como uma resistência. É "deixar de comer" a própria imagem, para sentir o gosto da realidade fática, para Goethe, ver outras cores, para Schröder ver os outros.


Sem dúvida, é por isso que alguns irmãos cheios de si mesmos, cumprindo-se a máxima, ‘vendo, não vejam;e ouvindo, não entendam’. (Marcos 4:10-13).



Conclusão: Bem-aventurados os que Escutam e Leem 

A crise da escuta e da leitura é, em última análise, uma crise de amor, de fraternidade e de integridade. Se "só se ouve a si mesmo" e "só se lê a si mesmo" , vivemos em um autismo coletivo. Para "ver a Deus", conhecer a Justiça e a Verdade é preciso redescobrir o prazer da sombra e da escuta, o valor do silêncio e da leitura e a santidade do Outro.


Integrar Goethe e Han aos conhecimentos maçônicos é entender que nosso aperfeiçoamento humano e moral não está no acúmulo de dados, na quantidade que falamos, somos vistos ou atraímos curtidas, emojis e fãs, mas na qualidade da nossa presença, na capacidade de ceder nossos ouvidos e olhos, outras palavras, a Pureza Moral de Schröder é também a coragem de ser uma vidraça que não retém a luz para si, mas que permite que ela ilumine o que está além. Somente quando pararmos de gritar nossas certezas, poderemos voltar a ouvir a música das cores e o indispensável sussurro da alteridade.


  • E Caetano?

  • Caetano disse que: "É que Narciso acha feio o que não é espelho".


OBS.: Texto sem revisão.

Joinville (SC), 13 março de 2026.


C.A.M. e T∴F∴A∴

Ir.´. Marcelo Artilheiro







 
 
 

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