Performatividade maçônica - “A Sociedade do Espetáculo”
- Irmão Marcelo Artilheiro
- há 1 dia
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A performatividade maçônica/ritualística é um dos fenômenos mais intrigantes e, ao mesmo tempo, corrosivo da experiência maçônica, fraternal e espiritual contemporânea. Em um mundo onde a imagem precede a essência, a visibilidade é a medida de todas as coisas, a sessão maçônica corre o risco de se tornar uma "peça teatral" encenada para uma audiência humana, esvaziando-se do seu sentido transcendental, moral, filosófico, humanístico e ético.
O Altar do tempo de estudo: O Rito como Espetáculo
A performatividade ocorre quando o rito deixa de ser um meio de conexão com o Criador e como próprio homem, para se tornar um objeto de consumo visual. Como observa Guy Debord em A Sociedade do Espetáculo, a vida social/a vida fraternal é substituída por uma representação.
O "Fasting of Self" e o Exibicionismo: Ao contrário do que propõe o silêncio místico ou o "jejum do eu" (temas caros a pensadores como Byung-Chul Han), a performatividade exige o "excesso de si" e de tudo.
O Ruído da Hipervisibilidade: Quando a sessão maçônica se torna mera performance, ela perde sua capacidade de se fazer escutar. Há muito barulho, muita visibilidade e pouca profundidade. A ritualística "zumbificada" repete fórmulas e gestos apenas para manter a audiência engajada.
A Estética do Poder e a Casca Vazia
A crítica à performatividade também passa pela análise das instituições. Muitas vezes, a liturgia é usada como um manto de autoridade para esconder o vazio ético, o vazio do conhecimento e a busca pelo poder secular.
Hermenêutica e Integridade: Se utilizarmos a crítica de Lenio Streck à discricionariedade jurídica e aplicarmos à maçonaria, veremos que a performatividade é uma forma de "relativismo litúrgico". A pessoa escolhe o rito e textos que mais lhe favorecem esteticamente, ignorando a integridade da tradição e o compromisso ético com o próximo.
O "Parecer" sobre o "Ser": A performance cria o que o existencialismo chamaria de "má-fé". O indivíduo assume o papel de "maçom" como uma máscara social, mas suas ações fora do palco (na sala do ágape,nas festas, nos grupos de whatsapp e demais relações pessoais) não guardam coerência com o papel encenado na sessão, ele parece outro homem.
O Perigo do Zumbi Maçônico
A performatividade gera o que podemos chamar de zumbis maçônicos: maçons que cumprem o rito com relativa perfeição técnica, mas sem alma ou discernimento.
Mecanização da maçonaria: O ritual vira uma coreografia. A pessoa se levanta, senta, faz sinais e repete bordões, mas sua capacidade de ser afetada pela dor alheia ou pela complexidade do mundo está atrofiada. É o movimento mecânico sem a vida do espírito.
Utilitarismo Maçônico: A performance geralmente busca uma recompensa — seja a aprovação social, o like digital ou dominação da Loja. Aqui, a Maçonaria deixa de ser uma entrega e passa a ser um investimento.
Conclusão: O Resgate da Essência
Criticar a performatividade maçônica não é atacar a liturgia ou ao maçom exibicionista, mas sim denunciar quando o acessório se torna o principal. Como alertou Immanuel Kant, a Maçonaria dentro dos limites da simples razão deveria focar na conduta moral e ética do homem. Se a performance não se traduz em uma ética da alteridade — ou seja, no cuidado real com os outros — ela não passa de um "metal que soa".
A verdadeira fraternidade é, por definição, discreta. Ela resiste à tirania da visibilidade e encontra sua força no que é invisível aos olhos, mas transformador no mundo e ao coração.
"Guardai-vos de fazer as vossas boas obras diante dos homens, para serdes vistos por eles." — Um alerta clássico que resume a crítica à performatividade.
OBS.: Texto sem revisão.
Joinville (SC), 20 maio de 2026.
C.A.M. e T∴F∴A∴
Ir.´. Marcelo Artilheiro


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